Oeste a Estrada do Outro Mundo e dos Mortos.
- Cain Mireen

- há 4 dias
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O Oeste na Encruzilhada da Arte Velha: Portal dos Mortos e Caminho do Mistério
Dentro da Encruzilhada da Arte Velha, o Oeste é o ponto onde o Sol declina e atravessa o limiar invisível rumo ao Outro Mundo. É por esta estrada que se honra o Velho, os mortos e os ancestrais. Como afirmou Robert Cochrane, o Oeste é a morada ancestral o lugar onde repousam aqueles que vieram antes de nós, e para onde toda vida retorna. O Oeste ou Ocidente é uma das quatro direções cardeais, oposta ao Leste, onde o Sol nasce. Aqui, ele se põe, desaparecendo no horizonte e simbolicamente iniciando sua jornada pelo reino invisível. A própria etimologia da palavra revela essa associação: “oeste” deriva da raiz indo-europeia wes, relacionada à noite, sendo cognata do grego antigo hesperos (estrela da tarde) e do latim vesper (noite). Da mesma forma, o latim occidens significa “queda” ou “declínio”, reforçando o simbolismo do pôr do Sol como morte e passagem.
Segundo Mircea Eliade, em diversas tradições arcaicas, o movimento solar não é apenas um fenômeno astronômico, mas um modelo mítico da existência: nascimento, vida, morte e renascimento. O Oeste, portanto, não representa apenas o fim, mas o início de uma travessia espiritual.
O Oeste é o Portal do Sol Moribundo, se no Leste ele nasce, e no ápice do céu atinge sua plenitude, é no Oeste que ele envelhece e adentra o Mistério. Este é o Reino Invisível, pois quando o Sol desaparece, ele não deixa de existir ele atravessa para o mundo dos ancestrais. Na bruxaria do Velho Estilo, como observado por Emma Wilby, o contato com espíritos e mortos frequentemente ocorre em estados liminares crepúsculos, encruzilhadas, margens. O Oeste é, por excelência, essa fronteira. iajar para o Oeste é aceitar a morte simbólica. E toda verdadeira iniciação exige essa travessia, não entra nos Mistérios sem antes atravessar o véu do fim.

O simbolismo do Oeste permanece válido no Brasil, mas deve ser compreendido em dois níveis: Simbólico e tradicional: baseado no movimento universal do Sol e o Cosmológico e local: adaptado ao céu e à paisagem do hemisfério sul Como aponta Claude Lévi-Strauss, os sistemas simbólicos se mantêm, mas se reorganizam conforme o ambiente cultural e natural. Assim, o praticante deve honrar tanto a tradição quanto o território onde pisa.
No Anel da Arte, os pontos da bússola estruturam o espaço mágico, o movimento do praticante segue o rastro solar: aquilo que o Sol traça no céu é refletido no giro ritual sobre a Terra. Contudo, em algumas tradições de bruxaria tradicional, como apontado por Nigel Jackson, as correspondências podem variar no sistema apresentado aqui:
Leste — Ar (nascimento, sopro)
Norte — Fogo (força, ascensão)
Oeste — Água (memória, morte, sonho)
Sul — Terra (corpo, manifestação)
O Oeste, portanto, é o domínio das águas profundas não apenas físicas, mas psíquicas e espirituais. Na Encruzilhada, a estrada do Oeste é conhecida como o Portão dos Mortos. É ali que se depositam oferendas aos ancestrais: maçãs, romãs, vinho escuro, bolos densos que carregam o simbolismo da vida que amadureceu e agora retorna à terra. Como observa Ronald Hutton, muitas tradições europeias associam o Oeste ao “país dos mortos”, frequentemente imaginado além do mar ou no horizonte distante. O ciclo também se reflete nas estações:
Primavera — Leste (Ar)
Verão — Norte (Fogo)
Outono — Oeste (Água)
Inverno — Sul (Terra)
"Oeste corresponde ao Outono o tempo da colheita, do declínio e da preparação para o repouso." Cain Mireen

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