Os Princípios da Arte Bruxa
- Cain Mireen

- 30 de dez. de 2025
- 8 min de leitura
Os Quatro Verbos da bruxa
Os Pilares da Arte Mágica é um conjunto de regras básicas de organização e funcionamento para a realização de uma obra de feitiçaria, elas recebem diferentes nomes como: As Quatro Virtudes do Magista; Princípios Operativos; Fundamentos da Arte; Poderes do Magista; Faculdades Mágicas; Chaves da Arte; Colunas do Templo; Eixos da Operação entre outros termos que traz um tom poético para o praticante.
No inicio do meu caminho na arte da feitiçaria, foi um dos primeiros estudos que foi realizado para entender mais fundo a raiz da Arte da Feitiçaria como uma ciência espiritual da bruxa, um estudo que requer atenção para a compreensão dessas virtudes e o necessário para desenvolver. O homem Sábio buscar a compreensão desses “poderes” que são inerentes da Raça de Caim faz parte do espírito do praticante que caso estejam adormecidos o praticante deve buscar um mestre da Arte e dá inicio ao desenvolvimento dessas virtudes que pertence.
São quatro condições da Arte que mantém como suporte base a mesa de trabalho da bruxaria que é a lareira onde o Fogo o elemento - espirito do Velho é mantido como o Fogo da Forja para realização de um trabalho espiritual e mágico para alcançar o pessoal desejo ou até mesmo trabalhar para alcançar o desejo de quem solicita meus trabalhos. São suportes invisíveis que mantém o fogo aceso; a condição da vontade, condição do saber, condição do atrevimento e a condição do velamento; Esses suportes na sua ausência pode de algum modo enfraquecer o fogo, descontrolar o fogo ou simplesmente apagar o fogo, levando isso ao esfriamento da sua lareira e a Arte não ser eficaz.

QUERIMENTO
O Verbo da bruxa é Querer
O principio motor para a Arte Mágica é à vontade o fogo que se decide a queimar, que corresponde ao acendimento é aqui que repousa o desejo da bruxa, pois é o principio do impulso que ergue os outros pilares para a concretização do Ato da Bruxa seja dentro do Anel ou de frente para a Lareira; A vontade é decisão sustentada no tempo e a direção clara do alvo e também a capacidade de manter um rumo apesar da resistência; Ela não nasce na mente, mas no eixo profundo do praticante. No espírito da bruxa a vontade corresponde o "Acender o fogo", na repetição ritual, no passo firme ao redor do Fogo Central e a respiração; os atos que mantém a Vontade é dançar, caminhar, manter vigílias e trabalhar fisicamente a pratica corporal, é necessário para enraizar a Vontade, pois ela é a permanência no caminho quando nada acontece. É observado no coração do desejado antes de ingressar em uma tradição, clã ou circulo de bruxaria se ali reside a "Vontade" para ser admitido, se a vontade faz o coração sua morada e aceito, pois a vontade é o principio motor da Arte Bruxa. O símbolo da vontade é a faca, pois ela sendo segurada na mão, a bruxa está pronta para a realização de algum ato dentro da Encruzilhada, de pé entre os Mundos ou de frente á Lareira. O símbolo da vontade é a vela acesa e o seu elemento é o fogo.
“Magia é a arte de agir conforme a Vontade.”
— Aleister Crowley, Magick in Theory and Practice
Nada começa sem o impulso interno, o querer, o desejo; sem vontade ninguém busca saber o que é o conhecimento.
CONHECIMENTO
O Verbo da bruxa é Saber
O Conhecimento é a forma oculta que ensina o fogo a trabalhar, ela não é informação solta, leitura sem prática, erudição exibida, teoria desvinculada do rito e nem opinião pessoal transvestida de tradição. Saber nomes de espíritos, correspondências de ervas e raízes e fases da lua não são conhecimento mágico por si; Conhecimento que não opera são lenha molhada. Conhecimento da bruxa é saber relacional e operativo, ele nasce de três fontes inseparáveis; o pela Tradição, saber que foi transmitido, pela experiência direta o saber do que foi vivido; e pelo reconhecimento, o saber que encaixa. Agrippa deixa isso claro ao afirmar que a magia atua pelas virtudes ocultas das coisas, não pelas aparências.
O conhecimento é o combustível da lareira da Arte, é a lenha correta, o ritmo de alimentar esse fogo e saber quando não colocar mais; Sem conhecimento a vontade queima rápido demais, o rito desorganiza, o espirito se ofende e o feitiço se desfaz. A bruxa conhece o padrão invisível da Arte; Conhecimento da tradição é absorvido; A Tradição Verdadeira é "lembrada" e não inventada, aqui a bruxa sabe das palavras, formulas e gestos. Conhecimento do contato vem dos Encontros com os espíritos do Outro Mundo, trabalhos com os lugares de poder, Vigílias Espirituais, Voo da Bruxa, Pular a cerca, aqui o conhecimento não pode ser provado apenas vivido e cabe apenas para bruxa que recebeu esse conhecimento saber utilizar o "presente" que foi agraciado pelo Velho. E o conhecimento pelo custo é aquele conhecimento que deixa marcas, requer sacrifícios e ocupa tempo esses também são formas de gnose uteis para a arte mágica. Saber o nome também é conhecer a essência da virtude do espírito ou de algo, saber o nome dá o domínio sobre algo ou a coisa e até a situação, alguns nomes são ditos por boca dos homens e outros nomes são ditos por boca dos mortos. Saber o que não deve ser dito também é conhecimento. Conhecimento mágico não habita só na mente, mas também manifesta no corpo como todo, em gestos rituais, entonação da voz para ritos de proteção, boa sorte ou banimento; postura ritual perante o Velho, a Deusa Branca ou aos Ancestrais; Respiração para acalmar e centralizar a mente e a Dança do Moinho isso requer conhecimento para fazer a Roda do Moinho girar.
Conhecimento sem pratica não é magia, a bruxa deve saber quando agir souber quando esperar souber quando calar e souber quando encerrar. Ela deve ter o entendimento de conjurar uma boa sorte, um parto feliz ou a proteção a quem solicita seus serviços e desconjurar a má sorte, o perigo oculto e o envio de maleficiam causado por algum feiticeiro ou bruxa negra. O símbolo do conhecimento é o Livro e o seu elemento é o ar
“Aquele que não conhece a natureza das coisas, jamais poderá governar suas virtudes ocultas.”
— Heinrich Cornelius Agrippa, De Occulta Philosophia
ATREVIMENTO
O Verbo da bruxa é Ousar
Ousar é o passo que ultrapassa o circulo secreto; ousar não é a imprudência, não é busca por choque, não é transgressão vazia, não é coragem teatral e nem curiosidade sem raiz; Ousar é arriscar algo por si. Ousar é a decisão consciente de atravessar um limiar sabendo que algo será transformado, também é o caminho cruzado, é a encruzilhada onde cada travessia altera o operador; É alcançar o Campo da Cabra caminhando com os dois pés com a venda nos olhos seguindo a sua intuição; é o momento que a bruxaria deixa de ser a intenção para transformar em evento.
O ousar não é apenas desejar e ter o entendimento, ousar e preciso de coragem para fazer, e ter a Fé inabalável para andar, e ter o Santo Graal nas mãos e beber sem medo, ousar é mexer o caldeirão de Cerridween, é ir à colina e convocar as forças do céu e do submundo para a sua magia. A bruxa tem que ser ousada para “Entrar no Castelo” mesmo que o portão esteja fechado; pois é com ela que a bruxa entra em contato com as forças espiritual verdadeira e assim sustentando o encontro com o Oculto e sempre nutrir essa aliança, esse pacto, essa amizade com o Outro. O símbolo do ousar é a taça, pois isso remete o atrevimento que a bruxa deve ter para “Beber” do Santo Graal que é disposto na frente dela e o elemento é a água.
Já temos três fundamentos vivos: Vontade o fogo que decide o Conhecimento a forma do fogo e Ousar a travessia da chama, o próximo é calar; O Selo, O Véu, O Túmulo fértil da feitiçaria.
OCULTAMENTO
O Verbo da bruxa é Calar
Então chegamos ao último fundamento, não porque seja o menos importante, mas porque sem ele, tudo o que veio antes se desfaz; Se a vontade acende o fogo, o conhecimento o orienta ousar atravessa a chama, o calar é o que impede que o fogo se dissipe em fumaça e aqui que chagamos no núcleo silencio da feitiçaria. Calar é o véu que guarda o fogo da Arte, no Oficio da Bruxa calar não é represália, medo de falar, segredo vazio, elitismo espiritual e nem isolamento social; Calar é contenção consciente do poder, aqui que mora o entendimento do calar que sela o feitiço e mantém o poder trabalhando em segredo isso que é a Arte da bruxa.
Calar é o ato final da operação mágica, manter o segredo do seu ritual isso faz com que ele não seja disperso aos humanos que podem através dos olhos maldito ou boca podre prejudicar o seu feitiço. O fogo deve ser protegido na sua lareira, o silencio é um estado ativo, pois isso deve partir dentro de você, ele concentra e protege o seu ato mágico, mas é ao contrario disso que os feitiços falados demais falham, experiências narradas cedo demais perdem força e nomes revelados para você pela boca dos mortos ou do Velho se tornam impotentes. A Bruxa do estilo antigo sempre soube que o invisível trabalha melhor quando não é observado.
Calar exige abdicar do reconhecimento para a bruxaria, pois a bruxa não precisar ser reconhecida para a sua arte frutificar, não precisa buscar validação, pois quem valida é o Espírito do Caminho e nem transformar a Arte em identidade publica; Nesse caminho da Bruxaria muitos anunciam sobre os quatro ventos de suas praticas não de uma forma que pode servir como uma vitrine de seus Trabalhos Espirituais para atrair clientes e ser vista como uma Mulher sábia ou Homem astuto e sim anunciam por Ego e Vaidade que está longe de ser uma "Arte Bruxa". A Arte Verdadeira não precisa ser proclamada, pois a sua vida própria pode mostrar os efeitos do fogo que paira sobre a sua lareira, é viver transformado sem explicar o porquê, e isso eu chamo e considero de Maturidade Iniciativa.
O Silêncio é a conservação da força gerada e ajuda a evitar interferência externas em seus ritos e encantos, protege o vínculo com os espíritos e com o Outro e permite ao ritual uma maturação interna; O símbolo do calar é a pedra de afiar e o seu elemento é a terra.
Os Pilares da Lareira que sustenta o fogo do Velho Ferreiro Bruxo é a Chama Espiritual que remete aos aspectos do sistema da feitiçaria, o fogo ele é o elemento que pertence ao homem e ao Deus Bode; as quatro manifestações do Fogo corresponde aos pilares da Arte da Bruxa; Centelha o pequeno fogo remete a querimento, ela cresce no espírito do homem sábio; a Brasa remete ao conhecimento para alimentar o fogo da lareira, a Chama o fogo que foi alimentado que agora remete a ousadia para queimar e por último temos as Cinzas onde o ocultamento que trabalha, onde remete a vontade transformada em conhecimento que foi alimento para a ousadia que agora é o silêncio para haver a alquimia através da Arte Bruxa.

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